Em breves goles de ternura
Bebi teu sangue em uma taça de vinho
Em folhas de um caderno em branco
Escrevi com vinho gotas de entendimento
E na tela feita de rolhas
Desenhei toda a beleza
Que uma garrafa poderia suportar
No entorpecer de um poema vermelho
Coração que em mim palpita mil e uma possibilidades
Me leva a caminhos nunca dantes percebidos
Por caminhos sempre trilhados e pouco desbravados
Me causa dúvidas, esperanças, angústias e contentamentos
Possibilidades que palpitam em mim milhões de corações
Nem sempre meus, mas poderiam
Desbravar, conhecer, desconstruir para recomeçar
Eis a palavra de ordem para a desordem de minhas vidas
Por favor, um curativo
Será necessário algo bem específico
De preferência do tamanho da alma
Pois crescer machuca
Dói, corrói e volta a doer
Sara, sangra, e volta a corroer
Esse é um caminho sem volta
Caminho que vai, cola, descola e faz crescer
A única cura é ser ativo
A vida é como um mapa
Repleto de caminhos
Estradas sem fim
Estradas para além de mim
O que me molda não são os meios
Ou os fins não justificáveis
O que me molda e torna a mudar
São os descaminhos
Anoiteceu
A água esfriou
A ponte caiu
O mar se aquietou
O silencio se fez
O nó se desfez
A única coisa que não se desfaz
É esse abafamento
O que amarga a boca
Nunca adoçará o coração
Tiros no escuro
Não alcança alvos
Folhas em branco não contam histórias
Nem movem moinhos
Levanta-te e age
Tudo na vida tem um preço
Até a inércia
Acorda já é dia
E a vida recomeça, os desafios testam
As duvidas pairam
E as cabeças rodopiam em busca de soluções
De busca em busca encontra novos desafios
Depressa já é noite
E a vida se manifesta
Os desafios calam, as certezas testam
A vida vem depressa, as dúvidas calam
Os desafios pairam, a certeza se manifesta
Soluções rodopiam em busca de cabeças
A vida testa, sem virgula, sem aspas... E ponto