Era noite e sentada na varanda peguei-me refletindo sobre coisas das mais diversas origens e aplicações, das mais variadas formas e porquês.
Pensei em saudade... Aquela falta que faz as coisas vividas, as palavras ditas, as consequências adquiridas, o conhecimento...
Senti arrepios... Pelas coisas que devia fazer e não fiz, que poderia dizer e não disse, pelas escolhas de cada momento.
Lembrei do arrependimento... Que pra mim só existe no dicionário. Não acredito em arrependimento, mas em escolhas desacertadas... Que acabam por se tornar pequenos acertos, já que nos ensinam muito mais sobre nós mesmos do que supúnhamos ser possível.
Fiz planos e escrevi poemas de dor, sonetos de amor, trovas de humor, escrevi por escrever...
Ouvi sons e canções que falam de um tempo desconhecido, pensei alto, ri de mim e dos outros.
Novamente senti saudade... Saudade de um tempo que não foi meu, de posturas que não são minhas, de lutas que não enfrentei, de dores que não senti, de ídolos que não vivi. Chorei mortos que não eram meus, ressuscitei causas perdidas, militâncias esquecidas, bandeiras envelhecidas.
Adormeci. E naquela noite vivi mais vidas do que poderia um dia sonhar, alimentei minha alma com pureza e contentamento sem fim.
Já era dia quando dei por mim ali na varanda com o gosto de vida ainda bem fresco na boca. Tirei a poeira dos sapatos e pus-me a caminhar movida por uma estranha sensação de dúvida e conhecimento, coragem e desprendimento...
Movida quem sabe, por essa tal nostalgia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário