segunda-feira, 23 de julho de 2012

Aquarela


Com o raiar da manhã o peito se abriu em um sorriso violeta
Os olhos dourados de desejo reluziram vontades e planos azuis
O dia seguiu o ritmo de um coração que pulsava bordô, vermelho e terra
Em um tic tac verde oliva de matar o branco de inveja

A tarde alaranjada levava salpicos de uma alegria rubra que deixava 
humores cinza manchados de amarelo, lilás e anil
Com a chegada da noite pérola, as despedidas calorosas emanavam 
saudades rosadas e fluorescentes 

O que ninguém percebeu é que no fundo daqueles olhos negros
Morava um homem cego

sábado, 21 de julho de 2012

A cura


Baixei a guarda e você chegou
Esqueci meu nome, minha fisionomia
O brilho no olhar era inevitável, indefinível
Meu mundo mudou, as cores ficaram mais vivas
Tudo ganhou gosto, sabor, vigor


Sentia o pulsar da vida, das horas e da paixão
Me entreguei e quase morri
De desejo, confiança, amor...
O caos virou calma, a dúvida, certeza
O medo, segurança, a mentira verdade...


Dói a incerteza da felicidade
Dói a insegurança da mentira
Dói mais ainda a tirania da verdade


Adoeci de amor
Enlouqueci de amor
Adormeci de amor
Anoiteci de amor...


Onde está a cura daquilo que me dói e me segura
Daquele que me rói, atormenta, acalenta, cala, sangra, alenta e conforta
Aonde está a cura?
Existe alguma além de você?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Luz dos olhos teus


Ouço a voz do silêncio cantando na noite iluminada
Em mim cantou boleros de saudades
Noutros tempos cantaria hinos de vontade
jingles de certezas, tangos de sedução 
e recitaria poemas de amor eterno


A luz da vela acesa ilumina a luz dos olhos 
que numa tormenta de desilusões se cansou de esperar
Vaga vazio e triste à sombra de outra vela 
que acaba de se apagar na luz dos olhos teus

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Que...



Que a noite seja fria e insinuante
o abraço aconchegante e sedutor
o beijo macio e doce como o sorriso de uma criança,
sem perder a malícia natural da adolescência viva na mente dos amantes


Que o amor seja transparente
e as bocas cúmplices e confidentes
as mãos desesperadas, firmes e inseguras
as mentes confiantes e em constante êxtase...


Mas acima de tudo
que seja vivo, intenso, avassalador... simples


Que seja VERDADE

sábado, 13 de agosto de 2011

Ego Ismo


Os olhos revelam o que o corpo e as palavras às vezes tentam esconder.
O rosto cora e deixa claro o que poucos podem ver.
O sorriso é a confidência de algo que só pertence a nós.
E àqueles que vêem por entre nós.


A nossa carne, a nossa busca, a fome, o desejo... A certeza.
De que por mais que fuja e seja de outros também
Sempre terei você aqui, no lugar de onde sempre e nunca deveria ter saído.


Por mais que não queira e que outros me digam o contrário
Sempre serás meu!
Oh doce e sublime conhecimento!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Constru Indo

Pelo caminho se deixa marcas
Ganha cicatrizes, sinais, experiências, sede.

As cicatrizes são troféus de uma vida levada a cada nova conquista.
Os sinais são para que não esqueçamos, nem por um segundo,
como cada obstáculo foi crucial para que fossemos além.

As experiências são lembranças doces de um tempo que não voltará.

E a sede?
Esta não passará nunca!
Nem a morte a fez passar.

Após a sua chegada, ficou a sede da certeza do algo mais.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Evolutiva Involução


A boca aberta... seca.
A veia aberta... sangra.
A fome
O nome
A chibata
A foice
O facão
O grito
O grilhão...
O carrasco...
O cansaço...
Seu irmão
Meu irmão
Eu...


Por entre os cristais e o carmim
Correntes...
Mais uma morte em vão
E outras certamente estão por vir.


Além mar...
Outros virão
Aqui, ali, terão
Esquecimento, coisificação


Passarão como passou e ainda não bastou
Anos, anos, anos...
A tortura não passou
A vergonha não passou
Assim como não passou o sofrimento
O desalento
O sentimento


Nada bastou e ainda não basta
Almas adormecerão
Outras viverão
E outras ainda dirão NÃO.


A fome permanece
O nome favorece
A chibata
A foice
O facão...


E ainda há os que pensam e acreditam
Em evolução.